terça-feira, 31 de maio de 2016

Festival de Inverno de Pedro II, mas pode chamar de festival da exploração


Festival de Inverno de Pedro II, mas pode chamar de festival da exploração
Por: Orlando Berti*
A primeira vez que fui à cidade de Pedro II foi para o primeiro Festival de Inverno naquela cidade. A “Suíça Piauiense”, como é conhecido o município que tem altitude de 603 metros acima do nível do mar, já atraia gente de todo o Nordeste por seu potencial turístico de belezas naturais ímpares, tempo mais ameno e por ser um dos únicos lugares do mundo em que há extração da pedra de opala.
Pedro II é linda, é charmosa, tem um povo mega-acolhedor. Os pedrossegundenses fazem muito para agradar um visitante. Tudo isso é um combustível perfeito para um festival popular, com bons grupos musicais e, principalmente, de graça!
De lá para cá foram muitos festivais e muitas idas, principalmente para fazer pesquisas científicas, palestra e trabalhos jornalísticos.
A ideia do Festival de Inverno na calorenta Pedro II está mais que consolidada. Aproveitar um dos feriados mais importantes e constantes do ano e que quase ninguém sabe exatamente para que é, Corpus Christi, movimenta a cidade e atrai milhares de turistas.
Por ter crescido demais e por despertar a cobiça de alguns poucos que moram ou vão se aproveitar na cidade é que o Festival de Inverno de Pedro II precisa ser repensado. É quase como aquela música daquele forrozeiro: o festival é 99% de sucesso, mas aquele 1% de exploração e de alguns acharem que turistas são otários termina estragando parte do festival ou o tornando menos prazeroso.
Cobrar R$ 25 para estacionar um carro, flanelinhas cobrando até R$ 15 galinha caipira vendida a R$ 200 (será a galinha dos ovos de ouro?), preços quintuplicados, casas alugadas a preços de Reveillon em Copacabana, falta de água e estrutura a deixar de desejar em muitos pontos são alguns pontos que tornam o lugar um festival de exploração.
Vai quem quer! Podem dizer alguns. Mas será que é assim que se faz turismo e se pensa em uma economia extra feita de maneira racional?
Isso termina afastando turistas, pessoas que poderiam voltar mais vezes à cidade. Pois são raros os masoquistas que sofrem em um lugar e retornam outras vezes para sofrer mais. E a lindeza de Pedro II e os prazeres do Festival não combinam com masoquismo.
O lugar do festival de Inverno, a Praça Manoel Nogueira Lima, também precisa ser revisto. Colocação de arquibancadas ou então rever o espaço destinado a barracas são urgentes e prementes.
“DONOS DOS ESPAÇOS”
Aproximadamente 20% do espaço destinado ao público foi usado para mesas. Enquanto isso o povo se engalfinhava e não eram raros os estresses gerados por pisadas em pés e até empurrões. Sem falar na cultura dos “donos dos espaços”, pessoas que levavam milhares de isopores e afins e tomavam espaços de centenas de pessoas.
No sábado, talvez o dia mais lotado, estava impossível transitar e uma simples ida a um dos poucos banheiros químicos espalhados no entorno era um verdadeiro sacrifício.
Presenciamos uma garota passando mal e fomos chamar uma das duas ambulâncias presentes. O rapaz que estava lá parecia mais assustado que os parentes da menina. E disse que nada poderia fazer e pediu auxílio ao Corpo de Bombeiros. A menina terminou sendo levada ao hospital por terceiros porque nem a ambulância da Prefeitura e muito menos a dos Bombeiros pôde sair. Havia uma viatura da PM no meio.
A visão de mais de 15% do público foi prejudicada porque haviam árvores podadas erradamente. Claro que não é para retira-las, mas que se fossem podadas adequadamente facilitaria a visão de muita gente.
É implicância? Claro que não! Apenas uma ajuda para a reflexão, principalmente porque as autoridades ficaram confortavelmente em um camarote. Talvez não tenham passado os apertos vividos pelos “mortais” e achem que tudo foi um sucesso.
Foi um sucesso sim, de público, de boa música, de energias positivas, mas também exploraram muito quem queria comprar produtos.
Pedro II tem potencial turístico incrível e para o ano inteiro. Só precisa ser mais bem pensado e, principalmente, profissionalizado. E profissionalização não significa exploração, mas entender que bem servir e realizar esse serviço com qualidade só ajuda a trazer mais gente e até que os preços cobrados a mais (lei da oferta e da procura) sejam compreendidos pela compensação de felicidade.
Os shows foram ótimos, o povo de Pedro II é espetacular, a cidade é linda, queremos voltar, mas sem exploração.
E que os espertalhões que se deram bem este ano possam refletir e sofrer boicote sob o risco do Festival entrar em declínio. Até o ano que vem, em mais um Festival, sem o termo exploração.
Fonte: Oolho.com.brhttp://reporter10.com/

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